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A História do Mega Drive – Parte I

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Mega Drive

Mega DriveSEGA Genesis nos EUA, é um dos consoles mais conhecidos da SEGA e, por conseguinte, um daqueles que tem um lugar no coração de muitos gamers ao redor do mundo. Quem aqui nunca jogou uma partida de SonicStreets of Rage ou OutRun? Ou não ouviu falar que o Mortal Kombat 1 para o console tinha um código para habilitar o sangue (ABACABB)? E que havia um jogo de moto que, além de ter de chegar em primeiro, você poderia bater com as suas mãos, seus pés, pedaços de pau e correntes os outros competidores?

O console de 16 bits da SEGA foi um gigante em sua própria natureza, invadiu de uma forma contundente o mercado de videogames norte-americano e durante um pouco mais de quatro anos (1990 até meados de 1994) competiu em pé de igualdade para com o Super Nintendo, que só viria a chegar no território americano em 1991.

História do Mega Drive
O console que viria brigar com o Mega Drive nos EUA!

Desta briga boa veio os gigantescos embates que consagrou a geração dos 16 bits, como a Guerra dos Consoles, ao ponto das duas grandes do momento, Nintendo e SEGA, brigarem por espaços na televisão, nas grandes lojas de varejo e, até mesmo, nas grandes cortes americanas. A coisa não era muito diferente na Europa e Oceania, com grandes repercussões aqui no Brasil e na América Latina. O único local onde a Nintendo realmente dominava desde os tempos do Famicom era o Japão e isto continuou até meados de 1994 com a chegada do Sony PlayStation, mas, aí, isto é uma outra história.

E por falar em história, que tal a gente saber um pouco mais sobre o nosso querido Mega Drive? Vamos lá?

A Origem do Arcade Caseiro

Durante a década de 1980, a principal fonte de renda da SEGA eram os seus populares jogos de arcade, como Space Harrier e Hang On. Para bater de frente com a competição – no caso era o Famicom e o PC Engine que estava por vir -, o presidente da Sega do JapãoHayao Nakayama, decidiu que a empresa deveria criar o primeiro sistema de arcade caseiro. Ele trabalhou secretamente com Hideki Sato, modificando o hardware da placa de arcade conhecida como System 16 da própria SEGA. Isto permitiria que a futura plataforma viesse a ter áudio e vídeos melhores, bem a frente da competição da época. Além da possibilidade dos ports ficarem praticamente idênticos entre o arcade e o novo console caseiro.

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Apesar disto, o novo console caseiro seria uma versão com menos força bruta que a System 16, mas, ainda assim, Hideki Sato pensou a frente e colocou alguns extras interessantes. O console seria retrocompatível com o Master System (utilizando do adaptador Power Base Converter), possibilidade de usar mouse, teclado, drive de disquete, modem, tablet para desenho e uma impressora. Ele até mesmo pensou na possibilidade de colocar um drive de CD.

A história do Mega Drive
E esta não é nem a minha forma final.

Isto, pessoal, é pensar além do tempo, demonstrando que o console já naquela época fora pensado para ser uma verdadeira plataforma de multiuso e, por isto, ganhou dezenas de ADDONS. Uns que deram certo, outros que nem tanto, mas demonstrando que o Mega Drive tinha a sua concepção além do seu tempo.

O projeto fora chamado internamente de Mk-1601, apesar de que uma revista japonesa da época chamada Beep! viesse a batizar o mesmo de Sega Mark V (seguindo a numeração dos projetos anteriores da SEGA). Antes da empresa japonesa achar o nome definitivo para o console, foram analisados cerca de 300 outros até chegar, finalmente, no Mega Drive.

Mesmo com todo o trabalho e empenho da SEGA para com o seu console, o lançamento no Japão foi bem fraco, pois, apesar de tudo bem planejando, o lançamento do Mega Drive foi obscurecido pelo Super Mario Bros 3, que havia sido lançado uma semana antes. Ainda assim, as revistas japonesas como a Famitsu e a Beep! fizeram uma cobertura positiva ao Mega Drive, assim, de pouco em pouco, as pessoas acabaram por ficar curiosas e no primeiro ano, o console acabara vendendo 400.000 unidades!

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Apesar do baixo crescimento no Japão, a SEGA veio a fazer apostas um tanto quanto estranhas, ruins para o lucro, ótimo para colecionadores. Junto com um modem que possibilitava algum tipo de jogatina online, a SEGA criou um sistema online bancário para o Banco Nagoya. O resultado disto foi o Mega Anser, que veio com um Modem, um teclado numérico e o bem caro Mega Printer, sim, uma impressora para o Mega Drive.

Mega Anser
Mega Anser

A empresa ainda inventou de usar o Mega Drive como base para arcades, que veio a se chamar de System C-2, assim como o MegaTech e o MegaPlay, sistemas de jogatina para fliperamas usando múltiplos cartuchos e/ou com timing. Juntando estes três sistemas, fora desenvolvido cerca de 80 jogos para os mesmos. O Japão recebera a versão mais rara de Tetris e RPG’s exclusivos como Rent-A-Hero e King Colossus.

Só que não foi no Japão que o console fez sucesso e sim em outros lugares, como nos EUAEuropa e Brasil. Mas isto ficará para um próximo artigo. Confira a parte II.